Futebol Saudade

Desde que, há mais de 100 anos, se fez o primeiro campeonato de futebol em Portugal, que a "passerelle", que é a vida desportiva, viu desfilar milhares de clubes.
Uns ainda hoje existem, pujantes e vigorosos até, outros, embora perdendo protagonismo, ainda resistem. Mas muitos ficaram pelo caminho.
Passaram ao futsal, deixaram o desporto, ou fecharam mesmo as portas. É dos que partiram (e não só), que aqui vamos tentar deixar a memória.




quarta-feira, 3 de junho de 2020

Macieira de Sarnes e o futebol.















A fazer fé nas memórias contadas pelos mais antigos, e que por aqui andaram aos pontapés às bolas de trapos, o Viso sempre foi o lugar do futebol nesta freguesia de Oliveira de Azeméis. Inicialmente foi o atletismo a ocupar a atenção das suas gentes, numa demonstração da sua apetência para o desporto, que ainda hoje perdura, com o atletismo a ter lugar de relevo.
Mas o futebol a sério surge em 1980. Os Unidos de Macieira, que carinhosamente eram conhecidos pelos “Crumes” (1), abalançaram-se a jogá-lo oficialmente, e em 1980/81 estavam na série A da 3ª divisão.
Haveria de jogar-se por mais alguns anos, até que em 1988 fechavam portas. Não mais as suas camisolas “Stromp” em amarelo e preto seriam vistas no Viso, mas este continuaria a ser um palco privilegiado do futebol nestas bandas, onde ainda hoje alberga o clube que na terra segue as pisadas do primitivo clube. Agora, tal tarefa cabe ao Futebol Clube Macieirense, que desde 1987 joga oficialmente no futebol federado, depois de ter andado pelo INATEL, nos anos 70, ele que terá sido criado no ano de 1974.

De forma singela, fica aqui o retrato dos intérpretes colectivos do futebol nesta freguesia, preservando de alguma forma a memória destes modestos mas dedicados interpretes destas páginas dos lazeres desportivos de Macieira de Sarnes.

(1)    – Centro Recreativo de Macieira de Sarnes





domingo, 3 de maio de 2020

Moncorvo – o futebol por aqui



Nos anais do futebol no distrito, apenas consta o Grupo Desportivo de Torre de Moncorvo como participante oficial.
Aliás o concelho é parco em concorrentes.
Apenas o Grupo Desportivo neste futebol clássico.

O futsal assinala outras presenças, como Felgar e Santo Cristo, mas estas são de registo muito recente.

Mas também por aqui o futebol nasceu cedo. Logo no princípio dos anos 50 surgia o Futebol Clube de Moncorvo, com estatutos aprovados em 27 de Outubro de 1953 (ver Diário do Governo, III série/3 Novembro).
Não andou pelos campeonatos oficiais, provavelmente pelos custos das deslocações e inscrições, embora dispusesse de campo, o de S. Paulo, que já existia em 1952, conforme comprovamos através do jornal da vila, A Torre, que então se começava a publicar.

Aconteceu até que o clube promoveu uma jornada de futebol no domingo de Páscoa, 13 de Abril de 1952, convidando o Porto para ali jogar. Foram mais de 2 mil pessoas que ali se deslocaram!
Entretanto a actividade foi rareando, e o clube desapareceu.

Só voltaria o futebol a Moncorvo, já nos anos sessenta. Em 1 de Novembro de 1967 noticiava o jornal que vimos citando, que na Câmara Municipal haviam tomado posse os dirigentes eleitos, e as “demarches” legais para registo do clube haviam sido encetadas. Chegava o futebol oficial a Torre de Moncorvo.
No último dia do ano, em Vila Flor, fazia-se o baptismo do Grupo Desportivo de Moncorvo.

Ao longo dos anos o clube passou esporadicamente por palco nacionais, mas em 1998, coincidindo com o novo palco municipal, o estádio engenheiro José Aires, o clube subiu aos nacionais, e ficou lá por 11anos.

Entretanto o velhinho campo de S. Paulo fechava portas, e o espaço que ocupava ficou ocupado pela escola secundária.

Mas Moncorvo continua a assistir regularmente ao futebol jogado pelos seus.


sexta-feira, 3 de abril de 2020

Campos em Bragança - um exercício para os pesquisadores.



Actualmente Bragança dispõe de 3 excelentes campos de futebol.
O municipal, surgido nos finais de sessenta, e os posteriores complexos do CEE e do Politécnico.
Ainda dispõe do campo do 30, mas em ruína, e onde se prevê construir o pavilhão do Académico.

Mas qual é o passado dos locais onde se jogou futebol?
Os anos 50 são aqueles em que o futebol se oficializou, quando se criou uma associação distrital, que sucede a uma tentativa dos anos 30, que permitiu então organizar campeonatos distritais (3), mas com pouca expressão, já que eram apenas 2 os clubes concorrentes.
Mas já antes desta data, se jogava futebol em Bragança. Clubes não organizados no sentido actual, mas participantes no jogo. E num distrito sem grande expansão do futebol até hoje, foi possível saber de clubes interventivos, e quase logo que o futebol se começou a jogar.
Mas quais os campos de então? Cronologicamente, citemos aqui as suas designações

1918 – campo do S. João do Forte (1)
1931 – campo de Santo António (2)
1933 – campo de S. João de Deus (3)
1937 – campo Salvador Nunes Teixeira (4)
1946 – campo do Desportivo (5)
1953 – campo municipal do Toural (6)
1968 – estádio municipal de Bragança (7)

(1) - serviu a um jogo entre duas equipas do União Foot-Ball Club de Bragança, em 1918. ver CP JAN 1918)
(2) - fala dele o JN 27 FEV a propósito de um jogo do campeonato, e também falará o jornal Trás-os-Montes
  quando em 1932 descreve um jogo que serviu para definir o campeão.
(3) -– citado pelo jornal “P’ra Cá do Marão”, a propósito de um jogo que ali teve lugar. O forte, que aquartelou o último regimento sedeado em Bragança (Caçadores 3) faz hoje parte do espaço de implantação da autarquia.
(4) -– surge aquilo que se diz ter sido o primeiro campo de futebol na cidade. A sua construção, “por cima das Beatas, e junto à estrada de Vinhais (JN ABR 1937), leva o nome do militar que mais se envolveu no futebol da cidade, e que foi presidente da câmara e governador civil.
Posteriormente, outra publicação que não identificamos, diz que este campo ficava onde hoje existe o hospital distrital.
 (5) – nos finais dos anos 30, já se joga no Toural, num improvisado terreno, trabalho da autarquia.
(6) – começa a falar-se da construção dum esplêndido campo, no Toural, de iniciativa municipal. (A Bola 3 JAN   1946)
Seria aqui que o futebol de Bragança, oficial, faria os seus jogos até à construção do municipal, que ocorre em 1968
(7) – data a partir da qual o municipal passou a servir ao futebol na cidade, sendo que a sua conclusão só ocorreria alguns anos mais tarde.


Está visto que  os terrenos do actual hospital, e o Toural, junto ao cemitério, foram os sítios privilegiados para o futebol.
Provavelmente que “S. João do Forte” e “S. João de Deus”,  primitivos campos de Bragança, seriam o mesmo, e ficavam nas cercanias do actual “30”. E 30 porquê?

Por uma vez (1979), o Colégio de S. João de Brito jogou o campeonato, e usou o campo de S. João de Brito, em terrenos anexos ao colégio, e pertença dos Serviços Florestais.


terça-feira, 3 de março de 2020

Viseu, uma maratona de campeões.



Carvalhais e Sampedrense em 1983/84















Inicialmente são 16 as equipas concorrentes, na 1ª divisão distrital. Mas rápido a informação nos diz que o Carvalhais e o Pextrafil, não competem nesta divisão.
O Pextrafil fecha portas, reflexo das dificuldades da empresa que é o seio deste grupo, que tinha no campo de S. Jorge a sua fortaleza. Hoje, o terreno de tantas tardes divertidas, serve de pouso à auto-estrada.

Também na 2ª divisão se passaria algo semelhante, onde o Sampedrense também está inactivo.

A suspensão destes 2 clubes, tem origem no ocorrido na época anterior, onde o Carvalhais, classificado em 15º e penúltimo, teve como sentença a descida de divisão.
Contudo estes queixam-se da infracção do Cinfães no jogo entre ambos, com um jogador faltoso ao Centro de Medicina, e o consequente castigo altera a tabela. Quem desce é o Sampedrense, que fora o antepenúltimo, e portanto fora da zona de descida!
Não se conformam estes, e queixam-se superiormente.
A AF, perante esta situação, suspende de actividade estas colectividades, e dá início aos campeonatos, o que acontece em 2 de Outubro de 1983.

Entretanto a decisão definitiva sobre o imbróglio só tem lugar em Janeiro.
A 29 deste mês começa a segunda volta, e o campeonato para aqueles dois clubes!
Até Maio terão de realizar 30 jogos!
E foi o que aconteceu, com o Carvalhais a só jogar a partir de 5 de Fevereiro, dado que o primeiro jogo seria com o desistente Pextrafil.
Mas no fim de Maio, a tabela classificativa apresenta o Carvalhais como 3º classificado!
29 jogos em 15 semanas é um feito digno de nota!!! Convenhamos que é obra!


Foi mais modesto o desempenho do Sampedrense, mas lutou para se manter neste patamar, o que conseguiu. Foi tarefa digna de registo. Por isso ele aqui fica.



AF Viseu
J
V
E
D
M
S
P

AF Viseu
J
V
E
D
M
S
P
1ª divisão 83/84
de:
2/10
a:
18/5
2ª divisão 83/84
de:
2/10
a:
27/5
Penalva Castelo
28
18
5
5
53
23
41
Paivense
30
19
6
5
52
25
44
Oliveira fRADES
27
15
8
4
42
17
38
Lamelas
30
18
5
7
74
37
41
CARVALHAIS
28
13
9
6
37
24
35
Nandufe
30
16
7
7
62
39
39
Nelas (SL)
29
12
10
7
40
23
34
Cambres
30
16
6
8
85
36
38
Moimenta Beira
29
13
7
9
53
44
33
Ferreira Aves
30
13
12
5
51
30
38
Resende (GD)
29
13
7
9
38
30
33
Sernacelhe
30
13
5
12
54
55
31
Cinfães
29
14
4
11
49
35
32
Abrunhosa
30
12
6
12
51
62
30
Tabuaço
29
12
7
10
48
40
31
Satão
30
11
7
12
44
44
29
Cabanas Viriato
29
12
6
11
51
42
30
Sampedrense
29
11
5
13
37
43
27
Canas Senhorim
28
11
4
13
45
43
26
Travanca
29
9
9
11
39
59
27
Mortágua
29
10
6
13
46
48
26
Carregal Sal
30
14
4
15
41
44
26
Vouzelenses
29
9
8
12
33
43
26
Ferreirós Dão
30
11
3
16
39
62
25
Cancela
29
10
5
14
30
45
25
Vale Açores
30
11
3
16
41
49
25
Queirã
28
9
7
12
35
41
25
Castro Daire
30
9
6
15
48
59
24
Silgueiros
29
10
3
16
38
54
23
Lustosa
30
8
6
16
37
54
22
Pextrafil
desistiu
Oliveira Conde
30
2
8
20
30
87
12

o caso explicado nos jornais