Futebol Saudade

Desde que, há mais de 100 anos, se fez o primeiro campeonato de futebol em Portugal, que a "passerelle", que é a vida desportiva, viu desfilar milhares de clubes.
Uns ainda hoje existem, pujantes e vigorosos até, outros, embora perdendo protagonismo, ainda resistem. Mas muitos ficaram pelo caminho.
Passaram ao futsal, deixaram o desporto, ou fecharam mesmo as portas. É dos que partiram (e não só), que aqui vamos tentar deixar a memória.




terça-feira, 3 de outubro de 2017

Portimão – os campos de futebol


Foi na procura de saber onde jogava o Sporting Glória ou Morte, que competiu nos campeonatos distritais de 1923 a 1947, que fomos pesquisar pela história.

Como em muitos outros lados, era o terreiro público que servia ao futebol dos pioneiros. Mas o futebol é que não servia ao terreiro. E também, como em muitos outros lados, os “player’s” foram coagidos a adaptar-se a estas “boas “consciências.

Claro que estamos a falar do Aterro do Cais, esse magnifico “estádio” que foi maternidade de clubes e jogadores. Obviamente que o chão ainda lá está, carregadinho de memórias. Hoje está lá a praça Manuel Teixeira Gomes, homenagem da cidade ao seu concidadão, que foi presidente da Republica.


Nestes anos do princípio do século XX, havia várias equipas na cidade, sendo que os mais consistentes e estruturados eram o Sporting Glória ou Morte (1919), o Boa Esperança (1929), a Juventude Portimonense (1930) e, claro, o Portimonense (1914).

Mas a cidade tinha muito associativismo, como são disso exemplo o Clube Naval de Portimão (1931), Clube Fraternidade Recreativo, Clube União Portimonense, Sociedade Vencedora Portimonense, e Sociedade Filarmónica Portimonense. Em 1942 haveria ainda de surgir um Clube de Golfe da Foz do Arade. Mas debrucemo-nos sobre o futebol.

O recinto usado na recente cidade (1924), após o despejo do Aterro, sempre é designado por Campo de Jogos de Portimão, e a iniciativa da sua construção terá sido do Portimonense, embora não fosse sua propriedade.
Ficava muito perto da actual localização do estádio municipal, onde actualmente está implantada uma empresa municipal (EMARP). Era ali que todos jogavam, antes do Portimonense construir o seu campo, o que ocorre em 1937.


O jornal Comércio de Portimão assim o anuncia, e até nos dá conta da sua inauguração, num jogo para o campeonato, em Outubro de 1937. O campo ficava na estrada da Rocha (1), diz o jornal (2), e dá-nos até as coordenadas do sítio, quando nos diz que a entrada se fará pela rua do Pé da Cruz, ao lado do palácio da família Bívar (hoje é a Câmara Municipal).
Nascia o campo Portimonense, que passaria a ser o palco do futebol em Portimão. Só em 1945 teria rival, quando o Boa Esperança também constrói o seu campo na Quinta da Malcata. (Comércio de Portimão de 29 Agosto).
Nesta altura, o Juventude já tinha deixado o futebol, e o Glória ou Morte fá-lo-ia poucos anos depois. Mas ainda jogou aqui.

Entretanto as vicissitudes do Portimonense levam este a ter dificuldades com o património, o que a certa altura da sua vida põe em risco o seu estádio, pelo que um seu indefectível adepto, oferta ao clube um terreno para edificação de um estádio. Tal nunca chegará a concretizar-se totalmente, e hoje o terreno do campo major David Neto (o ofertante), está em declínio.
Entretanto o estádio Portimonense é hoje o estádio municipal de Portimão.
Hoje, por aqui, também só o Portimonense resiste. E dá vida ao estádio.



(1) – o jornal explica exactamente onde ficava a estrada da Rocha, a propósito de obras de beneficiação que ali ocorrem, dizendo que esta vai da ponte até à praia.

(2) – no passado dia 23 do corrente, foi lavrada a escritura da compra do terreno para o campo de jogos (CP 28 MAR 1937).

- iniciadas as obras no novo campo de jogos, com adaptação do terreno adquirido junto à estrada da Rocha. (CP 27 JUN 1937)

- novo campo – fala o jornal sobre o que será no futuro o campo, com as obras previstas, mas a premência na sua utilização já no campeonato que começa, faz com que o jogo para o campeonato com o Glória ou Morte seja o de inauguração (CP 10 OUT 1937)


jornais e monografias

Correio do Sul
Comércio de Portimão
Portimonense – 89 Anos de História


domingo, 3 de setembro de 2017

Braga, o futebol, e os campos de jogo.




      São os baldios de S. Victor que primeiro servem de palco a esse novo jogo, tão entusiasmante e acessível, diga-se, que serviram de berço ao popularíssimo futebol, em Braga.

      É nestes campos que virá a surgir posteriormente, o primeiro campo dedicado ao futebol – o campo das Goladas, na rua Nova de Santa Cruz.
      Uma parceria entre os clubes de então, levou estes a alugar um terreno, e fazer ali um campo de jogos. Mas não era muito apropriado, e os custos levaram a que cedo acabasse por aqui o futebol.
Foi a antecâmara de o futebol chegar à Quinta da Mitra.
     
      Entretanto logo se organiza o primeiro clube a sério – Braga Foot Ball Club de seu nome – que por pouco tempo viveu dada a falta de oponentes e também as convulsões mundiais que originam a 1ª Guerra Mundial, que tanta juventude mobilizou.

      Mas a semente estava lançada, e após a acalmia belicista, logo surge a rua da Boavista como palco de um novo clube – Liberdade Foot Ball Club.

      A Associação dos Empregados do Comércio, também não fica atrás, e logo cria um grupo de futebol, a que dá o nome de Braga Sport Club.

      Segue-se-lhe o Estrela Foot Ball Club, que tem origem nos empregados gráficos, forte contingente, à altura, de gente nova e vigorosa.

      O campo que então servia a estes clubes, ficava frente ao quartel de Infantaria 8, e mais tarde urbanizado, tornou-se o poiso da estátua de Gomes da Costa. Era o campo da Vinha.
Mas a sua intensa actividade dedicada ao futebol, foi vítima de abaixo-assinado dos moradores, que queixando-se à Câmara, levou esta a proibir ali os jogos. Estávamos em 1914.

      Entretanto 1920 trás o aparecimento do Sporting Clube de Braga, já com um certo estatuto de importância, dadas as forças que o criaram, e a orgânica que lhe deram. Tem até tratamento diferenciado, pois os seus jogos fazem-se na cerca do liceu Sá de Miranda, por cedência do Ministério da Instrução, para este campo do Espírito Santo. Mas também aqui as “boas consciências” se manifestaram, e cedo o futebol mudou de sítio.

      Só depois surgirá o primeiro campo a sério para o futebol, vedado, com balneários, e dimensões adequadas. Surgia o campo do Raio.

      Em 1922, alguns decidem criar regras na disputa de jogos, organizando campeonatos, promovendo a filiação de clubes, e disciplinando as transferências.

      A primeira acta da Comissão de Organização da Associação, é assinada pelos representantes de

Sporting Clube de Braga
Vitória Sport Clube
Braga Sport Clube
Triunfo Futebol Clube
Estrela Futebol Clube
Boavista Futebol Clube

Nessa reunião passou-se uma circunstância peculiar, que ficou exarada em acta, que anuncia ter sido proposto um voto de louvor a um dos intervenientes, Vila Pereira, “por no dia do seu casamento, dispôs de algumas horas para tratar de interesses desportivos desta Terra, o que mostra bem o seu amor à CAUSA”

      Finalmente o futebol tinha rumo. Havia uma associação, os clubes estavam organizados e estruturados, e o palco para o futebol estava montado no campo da Ponte, que anos depois teria a companhia do estádio 28 de Maio, rebaptizado pela Revolução com 1º de Maio.
      Finalmente surgiria esse icónico estádio da “Pedreira”, obra do europeu de 2004.

      Hoje em Braga, na cidade, são muitos e bons, os espaços disponíveis para se jogar o futebol.


PS – neste período inicial, fala-se muito de um campo, o dos Peões, que ficaria em Lamaçães. Tenho a convicção que é o das Goladas, que a associação distrital situa na rua Nova de Santa Cruz.

Fontes

AF Braga – Bodas de Ouro. 1922 a 1972
Commercio do Minho
Correio do Minho
Diário do Minho
Gazeta de Braga
Minho Comercial
Minho Sport
        Norte Desportivo (de Braga)


quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Futebol em Tomar



O jornal A Verdade, de Tomar, dizia assim em 15 de Junho de 1913:

Sport

Nos estabelecimentos dos cidadãos Calado & Irmão, António Lopes Valério, e Manuel Canhão d’Oliveira, acha-se aberta a inscrição de sócios para a fundação d’um grupo, do football, que alguns rapazes tencionam organizar nesta cidade, uma das raras zonas da província em que tão útil género de sport quase nem conhecido é.

Logo em Novembro de 1913 se formava o Grupo Instrutivo dos Caixeiros de Tomar. Di-lo “A Verdade”, a 9 desse mês. E diz ainda que nasceu com o objectivo de criar aulas de melhoria dos conhecimentos profissionais.
Mas a amplitude do Grupo foi expandida ao futebol, pois sem margem a dúvidas, o mesmo jornal diz em 28 de Dezembro de 1913, que os Caixeiros se preparam, e o jornalista não se isenta de lhes dar uma profunda lição de técnica e de táctica!

De imediato, ou seja em Fevereiro (A Verdade do dia 15), já os Caixeiros iam de abalada até à Golegã, para jogar com os congéneres dali.

Consultando antigos jornais da cidade, podemos ver que já em 1920 havia muito movimento desportivo. Detectam-se o Vitória Futebol Clube fundado em 1919, e que joga no campo da Várzea Grande, o Operário Futebol Clube, o Sport Clube Estrela, o Sporting Clube de Tomar, e o então União Futebol Clube dos Caixeiros.

Em  Janeiro de 1921 (Ecos de Tomar do dia 15), diz-se que a União Foot-Ball Club dos Caixeiros de Tomar, foi a Torres Novas jogar com o clube local, num jogo que foi monótono, e que acabou com 2 para cada lado. E diz também que os Caixeiros jogavam de vermelho. O preto deve ter-lhes vindo da costela operária.

Liga Tomarense

É nossa convicção que esta associação começou a germinar em 1921.
O jornal “Ecos de Tomar” aplaude a iniciativa do Sporting (15 JUN 1921), “que tenta organizar a chamada associação, ou seja, a direcção que representa todos os clubes”.
Germinava a Liga.

Em 1924/25 existia já uma Liga Tomarense, que nessa época organiza provas de 1ª e 2ª categorias.

Participam em primeiras:

Sporting Clube de Tomar
Sport Lisboa e Tomar
Vitória Futebol Clube
Operário Futebol Clube

Nas segundas, jogam:

Sporting Clube de Tomar
Vitória Futebol Clube
Operário Futebol Clube
União Futebol Clube Comércio e Indústria.

Nas primeiras seria campeão o Sporting, que jogaria o título de campeão distrital com o vencedor de Santarém, Os Leões, embora a Liga Tomarense só posteriormente se tenha tornado sócio colectivo da AF de Santarém.

Na época 1928/29, já a Liga era sócia colectiva da AF de Santarém, quando organiza uma prova entre os seus filiados. É o campeonato de Tomar.


24 Fevereiro 1929 – Sporting de Tomar – União de Tomar 2-0
03 Março 1929         – Operário – Sporting Tomar 0-5
14 Abril 1929            – União Tomar – Operário 0-0
21 Abril 1929            – Sporting Tomar – União Tomar 4-0
28 Abril 1929            – Operário – Sporting Tomar 0-10       




J
V
E
D
M
S
P
Sporting
4
4
0
0
21
0
8
União
3
0
1
2
0
6
2
Operário
3
0
1
2
0
15
2


A Liga era presidida por Domingos de Oliveira Vístulo.


Os Caixeiros de Tomar

Fazendo fé naquilo que o clube toma como data de fundação, temos Maio de 1914 como a fundação da União de Foot Ball dos Caixeiros de Tomar. Mas já vimos que caixeiros e futebol se encontraram antes.

Entretanto a colectividade foi crescendo e fazendo diversos jogos com outras colectividades então surgidas, como foi o caso do Sporting em 1915. Vem depois o Operário FC, e em 1919 o Vitória Futebol Clube. Em 1922 detecta-se um Sport Clube Estrela, mas que não chega às primeiras competições da Liga Tomarense entretanto criada.

Em 1922 o jornal Ecos de Tomar (31 de Janeiro) comentava que na União dos Caixeiros se digladiavam duas correntes por causa do nome do clube. Uma delas, a dos caixeiros, queria sustentar o nome da colectividade à viva força, mas a outra, a dos operários, não querendo representar aquilo a que não pertencia, queria que o clube fosse “Comércio e Indústria”.
           
O jornal exortava o clube a resistir, e aconselhava os operários a irem para o clube que tinha o seu nome. Mas em 23 de Fevereiro desse ano de 1922, a AG decidiu por larga maioria dos votos, que o clube passasse a designar-se por União de Futebol Comércio e Indústria de Tomar.

Os campos de então

Campo da Várzea Grande – este era o sítio “ideal” para se jogar futebol, e por isso foi aqui que tudo começou. É sítio carregado de memórias. As do futebol vamos contá-las aqui.

O espaço ainda lá está, virgem de urbanismos torpes, e ainda pertença do povo. O pelourinho ali colocado, chamado de afonsino, está lá a atestar a doação feita ao povo por Filipe I de Castela, contra a vontade da Ordem de Cristo, que pretendia o espaço para o seu espólio.

Também o Museu dos Fósforos, instalado no antigo Convento de S. Francisco, que já foi quartel militar, faz guarda ao espaço. A tudo isto podemos acrescentar que até a Justiça se instalou ali, com a fachada do seu palácio voltada para a imponência da Várzea Grande.
Oficialmente, este espaço é agora o Largo 5 de Outubro, e desde há muito que é terreiro do povo, que lhe deu variados usos. Para além das centenárias feiras, também foi ali que se começou a jogar futebol, ainda a República gatinhava!

Em Dezembro de 1924, a 11, dizia o Ecos de Tomar que o União ia ter o seu campo na Várzea Grande. As obras de implantação tinham parado, pois estava dependente das obras do caminho-de-ferro, Lamarosa-Tomar.


Campo da Horta D’El Rei – o Sporting andava com a pretensão de fazer um verdadeiro campo de futebol, e em 1922 adquiriu um terreno na margem direita do Nabão, e a aquisição foi ao senhor Neves, da estrada do Prado. Oficialmente consta ter sido inaugurado em 1923, com um jogo a 23 de Fevereiro com o Sporting de Lisboa. Mas já em Junho de 1922 o Sporting jogava ali com o Operário (ver Ecos de Tomar).
Em 1936 a Câmara municipal adquiriu o campo, como se pode ler n’Os Sports de 27 de Janeiro de 1938 (pg 4), que escrevem:

“como é do domínio público nesta cidade, a Câmara Municipal adquiriu pela importância de 80 mil escudos, o  excelente campo de jogos da Sociedade Desportiva Tomarense, vulgarmente conhecido por campo do Sporting, onde tenciona edificar o novo estádio.
Devemos dizer que será esta uma boa oportunidade para se instar junto das entidades oficiais, pela comparticipação do Estado….
… A Sociedade Desportiva Tomarense merece os maiores encómios, de toda a cidade, por ter cedido o seu campo de jogos à Câmara Municipal, única entidade local que pode, duma forma ampla, levar a efeito a edificação do novo estádio, melhoramento de grande importância para esta cidade.
A ter viabilidade a construção do Estádio Municipal, e disso estamos convencidos, visto que, segundo nos consta, a Câmara está a interessar-se a valer pelo assunto, Tomar pode voltar aos saudosos tempos dos grandes encontros de football, daqueles tempos em que os seus melhores jogadores eram disputados pelos melhores clubes do país.”


Jornais consultados:

A Acção
A Verdade
Cidade de Tomar
Ecos de Tomar
Os Sports




segunda-feira, 3 de julho de 2017

Ponte de Lima e o futebol.



O desporto na vila, foi nos anos 20, animado pelo Triunfo e pelo Lusitano.
Mais tarde (1932) estes vão juntar-se, e daí nasce o Ponte de Lima Sport Clube.

Em 1938 este clube reformula-se e adopta a designação de Sporting Clube Limarense.
Mas o futebol no distrito haveria de fechar portas, mercê das orientações do Governo de então. Estávamos em 1943, e somente 30 anos depois ele voltaria.

Mas o panorama desportivo da vila foi muito mais mexido. Os que atrás referimos são aqueles que deixaram o nome na história do futebol federado.
Mas muitos mais houve, contudo.

Comecemos pelo princípio.

O “Rio Lima” é um dos muitos jornais que aqui se publicaram. É com ele que vemos a partir de 1922 como era por aqui o futebol. Os clubes de então eram essencialmente formados por jovens, que tinham sempre em vista alugar instalações para implantar a sede, onde através dos bailes gerassem receita para manter o clube. Que jogava futebol. Era a essência. Periodicamente faziam eleições, escolhiam dirigentes, mas no resto eram muito volúveis. Por isso o proliferar de clubes.

Mas eram muito activos. O jornal Cardeal Saraiva diz, em 13 de Agosto de 1922, que o Limiano Foot-Ball Club foi a S. Julião do Freixo jogar com o Freixoense, e perdeu 3-2, mas o jornal atribui tal facto ao número de árvores que há no campo, o que o torna impróprio, e não à falta de “association” dos player’s de Ponte de Lima!
Já se pode ver de que futebol estamos a falar.

O Limiano Sport Clube ressurge das cinzas do Limiano Foot-Ball Club em 1923. Assim o afirma o Rio Lima na sua edição de 11 de Fevereiro. A data precisa terá sido 6 de Setembro, como dá conta o Cardeal Saraiva (11 JAN 1923).

Mas já então existia o Lusitano Foot-Ball Club, pois o mesmo jornal diz que no domingo anterior a esta sua edição de 11 de Fevereiro de 1923, jogaram este novo Limianos com o Lusitano, que venceu por 1 a 0.

Mas neste ínterim alguns integrantes do novo Limianos juntaram-se aos do Triangulo Foot-Ball Club, e daí surgiria o Lehtes Foot-Ball Club de Ponte de Lima (ver Rio Lima 19 AGO 1923).
Mas já então o jornal falava, uma vez por outra, de outro clube da terra: o Vitória Foot-Ball Club.

Aqui chegados, perguntamo-nos:
- mas com tantas equipas, onde se joga?

É ainda o jornal Rio Lima que nos “explica” a 30 de Agosto de 1925, quando com pompa e circunstância nos dá conta da visita do SC Valenciano, para jogar um amigável com o Lusitano, e diz que será no campo da Feira do Gado. Posteriormente até, falando do jogo já realizado, diz que a enchente foi total!

Mas o sítio não era adequado, por todas as razões, e o jornal dá conta da intenção de um grupo de entusiastas que se propõe construir um campo de futebol em Ponte de Lima. Estamos em 1926 (edição de 28 de Fevereiro), e o jornal tece grandes encómios aos obreiros de tal pretensão, que considera uma arrojada iniciativa.

O que é facto é que se concretizou. E até foram 2 os campos! E o que é mais relevante, é que os campos existem ainda, e foram reabilitados pela autarquia, que honrou os seus.


Mas falemos do então. O jornal Rio Lima vai falando frequentemente dos campos em construção, que serão o campo do Cruzeiro do Lusitano, e o campo de S. João da Ribeira.
(ver edições 13 e 20 FEV, 27 MAR, 10 ABR, 22 MAI, 5 e 12 JUN de 1927)

Finalmente surgem as inaugurações, com todo o brilhantismo e orgulho dos clubes.

O Triunfo inaugura o seu campo de S. João em Março de 1927, tendo convidado o Vianense e o Boavista.
Já o Lusitano preparou o mês de Junho para inaugurar o seu campo do Cruzeiro, com a presença do Salgueiros e do Braga.


Agora já havia onde jogar futebol, sem perturbações e intervenções policiais.

Surgem depois as tentativas de fazer um grupo forte, com a fusão do Triunfo e do Lusitano, que dão origem ao Ponte de Lima Sport Clube. Mas este, cedo mostra quão difícil é a sua vida, e por isso que logo alguns se aprestem a reformular o clube. É daqui que vem o Sporting Clube Limarense, o de duração mais consistente, até que se dá a extinção da associação distrital. Ainda tenta o clube sobreviver, filiando-se e competindo em Braga, mas não resistiu aos gastos, e também à má vontade dos clubes do distrito, que se diziam prejudicados.

Em 1939 surge uma nova e também efémera equipa. Ela advém de litígios no seio do Limarense, e embora as referencias que se encontram não sejam muito consistentes, permite contudo aferir deles.
O comunicado publicado no Cardeal Saraiva de 27 de Abril de 1939 (pg 3), dá disso conta. Por tal que logo em Maio (25 MAI, Cardeal Saraiva), se faça no campo do Cruzeiro um jogo entre este novo Lusitano, que ressuscitava a memória do pioneiro Lusitano, herdando-lhe até as cores, que eram o vermelho e o branco, com o vizinho Sporting Arcoense.
Foi curta a vida deste clube, que logo ao fim da 1ª volta do campeonato 39/40 oficia a AF de Viana a comunicar a sua desistência.
Creio contudo, que o Vasco da Gama que havia de aparecer mais tarde, em 1942, e que concorreria ao último campeonato distrital, tinha muito deste Lusitano Sport Clube de Ponte de Lima, que era assim que se apresentavam.

Mas gente de têmpera não desiste à primeira, e por isso oito anos depois surgia aquele que ainda hoje representa a vila de Ponte de Lima, levando longe o nome do seu concelho:
Associação Desportiva Os Limianos, activa e pujante, à beira de reflectir os 100 anos de querer e persistência destes minhotos de fibra!




sábado, 3 de junho de 2017

Peniche – campos de futebol


Parece ter sido por meados dos anos 20, que surgiu o primeiro clube de futebol em Peniche. Era o Peniche Foot Ball Club, que chegou a disputar os distritais de 1929/30 a 1936/37, embora com intervalos.

Mas logo em 1934 surgiriam os Relâmpagos Foot-Ball Club, de camisolas pretas e brancas, em vela de moínho. Surgidos estes, logo havia de aparecer o Faísca Foot-Ball Club. Nestes, era o vermelho e o branco em listas verticais que o identificavam.

Tanto clube numa terra tão pequena, não poderia ser duradouro. Por isso que logo em 1941 se tenham juntado, e assim nascia o Grupo Desportivo de Peniche.



Mas estes clubes haviam de jogar algures. O mítico campo do Baluarte, desaparecido entretanto, sempre foi o recinto das tardes de futebol em Peniche.

Hoje, o municipal alberga o futebol da cidade, mas o campo da Fonte Boa, na Ajuda, é o referencial do Futebol Amador de Peniche, que conta com mais de 40 anos.

Mas como seria nos primeiros tempos, com tanto entusiasmo pelo futebol, como a década de 30 deixa ver?

Foi um antigo marinheiro, António Brás, batido nas coisas do futebol que jogou no Águias Negras, que me ciceroneou pelos campos ou arremedos de campos, que Peniche conheceu.

O campo do Marçal era um descampado onde hoje se instalou o Pavilhão Polivalente, à rua do Galhalaz.

Em Peniche de Cima, perto da fábrica do Fialho, ficava o campo da Liberdade. Hoje, a chaminé que por ali identifica o passado junto a uma grande superfície, já viu muito futebol.

Outro campo usado, este mais próximo do casco da vila, era o campo da Praça Nova, junto do cinema velho, e onde hoje se encontra o mercado municipal.

Também o campo do Caldas, embora em areia, serviu ao jogo. Este ficava no Juncal, e na vizinhança os pescadores concertavam as redes. Hoje, está lá um polidesportivo, integrado no jardim da Prageira.

Mas ainda existiram mais alguns, que queremos aqui dar notícia.
É o caso do campo do Dominguinhos, que quando se construiu, já depois do Baluarte, se supôs que seria porto para muitos anos. Engano. Logo o hospital lhe tomou o lugar.
Então os entusiastas populares do futebol passaram ao campo do Vila Maria. Mas este não tardou a virar piscina. As municipais hoje estão lá. Daqui, seguiu-se a Fonte Boa.