Futebol Saudade

Desde que, há mais de 100 anos, se fez o primeiro campeonato de futebol em Portugal, que a "passerelle", que é a vida desportiva, viu desfilar milhares de clubes.
Uns ainda hoje existem, pujantes e vigorosos até, outros, embora perdendo protagonismo, ainda resistem. Mas muitos ficaram pelo caminho.
Passaram ao futsal, deixaram o desporto, ou fecharam mesmo as portas. É dos que partiram (e não só), que aqui vamos tentar deixar a memória.




quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Penafiel – os palcos do futebol



    Como em muitas outras terras, também por aqui o futebol cedo se constituiu atracção das massas.
Desde sempre desporto popular, no que isso tem de indiciador, sempre teve agregado o espírito de improviso, que mais não era que a superação das dificuldades financeiras, para passar à prática a sua prestação.
O equipamento e a bola, sempre se superava com mais ou menos dificuldade, mas o recinto de jogo era a grande dor de cabeça.
Por isso que os terreiros, mais ou menos disponíveis, que sempre existiam em cada terra, sempre se constituíssem nos adequados campos de jogo.
Foi também o que sucedeu em Penafiel, com o terreno frente ao então quartel de infantaria 6, onde se faziam as feiras da cidade, onde se improvisou, com a complacência da Câmara, o “campo Conde de Torres Novas”, que contudo cobrava vinte escudos por cada jogo. Era então aqui que  a cidade e os seus clubes dispunham de local para darem azo ao seu entusiasmo. Quem não se alegrava, contudo, com este campo, era a associação distrital de futebol, que não permitia a entrada nos seus campeonatos, aos clubes de Penafiel.

É assim que o início dos anos 30 trás uma pressão frequente dos clubes da cidade junto da Câmara Municipal, visando a construção de um campo de jogos.
À altura, podiam detectar-se o Sport Clube de Penafiel, fundado em 1923, e com sede junto à estação dos caminhos de ferro, o Onze Penafidelense Foot-Ball Club, o Egas Moniz Sport Club, o Penafiel Académico Club, e o recente (1933) criado Sporting Clube de Penafiel. Da sua actividade e existência, dão por essa altura conta os muitos jornais que a cidade dispunha. Por eles ficamos a saber que um particular, no caso o comandante dos bombeiros, tomou a iniciativa de comprar um terreno na rua da Saudade, visando criar um campo polivalente, que permitisse não só a prática do futebol, mas também outras manifestações, tornando assim rentável o investimento. Mas o projecto fracassou, e será a União Desportiva Penafidelense, resultado da fusão em 1932, do Egas Moniz com o Onze Penafidelense, a chamar a si a concretização do campo da Saudade, o que acontece em Outubro de 1933 quando, a 7, o Comércio de Penafiel anuncia que o campo foi vistoriado e aprovado pelas instâncias desportivas distritais.
A 15 desse mês um União Penafidelense-União de Paredes inaugura o recinto. Vencem os da casa 5-1.

Neste entretanto, a câmara municipal que há muito trazia em banho-maria a construção do campo municipal, acaba por decidir-se pela sua construção, e em Janeiro de 1934 fica concluído o “campo municipal de Leiras”.
Fica então atribuído pela câmara municipal, ao Sport Clube de Penafiel.
Este recinto perdura até hoje, sendo alvo de muitas alterações e beneficiações, apresentando hoje como “estádio municipal de Penafiel – 25 de Abril”.

Nesta diáspora do futebol na cidade, e consequência de alterações profundas dos modelos competitivos, tentam os dirigentes dos clubes existentes então na cidade, o União Penafidelense e o Sport de Penafiel, uma fusão que os fortalecesse.
Mas as rivalidades de muitos anos cedo levaram a que o Clube Desportivo de Penafiel, resultante daquela anunciada fusão, pouco mais durasse do que um ano. Acabava o futebol em Penafiel. Ainda tentaram alguns, que o Sporting assumisse o lugar vago, mas a sua pequena implantação condenou ao fracasso a tentativa.

Foi assim que o interregno de 2 anos permitiu que surgisse de raiz (1951) um novo clube, que se mantêm até hoje de forma vigorosa e orgulhosa. É o Futebol Clube de Penafiel.