Futebol Saudade

Desde que, há mais de 100 anos, se fez o primeiro campeonato de futebol em Portugal, que a "passerelle", que é a vida desportiva, viu desfilar milhares de clubes.
Uns ainda hoje existem, pujantes e vigorosos até, outros, embora perdendo protagonismo, ainda resistem. Mas muitos ficaram pelo caminho.
Passaram ao futsal, deixaram o desporto, ou fecharam mesmo as portas. É dos que partiram (e não só), que aqui vamos tentar deixar a memória.




quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Ílhavo nos futebóis.



   Ílhavo é uma peculiar terra, pela sua envolvência com a água.
A ria abraça esta terra de pescadores, onde o bacalhau tem lugar de privilégio.

As suas origens e história, foram alvo de eruditos, que nos legaram esta extraordinária monografia, que pode ser lida aqui.

Mas nós somos muito mais comezinhos, e ficamo-nos pelo futebol. Tudo nasceu quando procuramos novas da Costa Nova. Que é como quem diz, de Ílhavo.

Encontramos um Sport Ílhavo Clube nos distritais de Aveiro, por uma só vez, e fomos à sua procura.
Desde logo ficamos a saber que, o primeiro campo destas bandas, ficava aqui. Era o da Fábrica da Vista Alegre. Aveiro ainda jogava, quando podia, no S. Domingos, um peculiar, polémico e “polivalente” campo de artes.

Afinal aquela participação não valeu, já que aconteceu naquela época de brasa no distrito, com uma associação distrital para o futebol em Ovar, e logo outra, também, em Aveiro!
Foi uma grande confusão entre campeonatos de Honra, Promoção, e 1ªas divisões, com muitas nuances. Por aqui, está tudo no jornal da terra, “O Ilhavense”.

E foi aqui que ficamos a saber deste Sport Ílhavo Clube, que em 1932 passou a Ílhavo Futebol Clube, equipando de vermelho e branco.
O futebol por aqui, também já vinha de longe. Nos anos 20 já os terrenos da Rua Nova serviam aos animados jogos amigáveis, entre equipas de criação instantânea.
Mas no princípio de 1931, as vontades surgiram mais fortes, e logo se criou uma equipa consistente. Surgia o Sport Ílhavo.
Para preparar os seus player’s, muitos e variados jogos foram aprazados, com os muitos vizinhos que por aqui existiam.
O palco era invariavelmente o campo da fábrica da Vista Alegre, que Ílhavo não tinha campo. Mas estes entusiastas, que aspiravam a jogar oficialmente, abalançaram-se a alugar um terreno que lhes permitisse jogar em casa. E conseguiram-no na Rua Nova, que é uma via primitiva que conduzia à Matriz.



Começado em Janeiro de 35 o “campeonato”, tendo agora um campo próprio, e tendo até um novo nome, abalançou-se a esta aventura do futebol organizado, este novo clube. Mas cedo estes atletas se cansaram do brinquedo. Arredios aos treinos, esquecendo a cotização, e até alheando-se dos jogos, cedo fizeram com que o clube acabasse. Está lá tudo, numa entrevista de 1936, do seu capitão à altura, Joaquim São Marcos. 
Citando o mau ano do clube, onde até o tempo não colaborou, e originou que o clube ficasse cheio de dívidas. O aluguer do campo atingia os mil quatrocentos e cinquenta escudos (!), e tornava-se um garrote. Isso, aliado à postura dos atletas, questionando tudo e todos, numa postura pouco adequada, que ele atribuía às raparigas, à vaidade, às famílias, e até ao comodismo, originavam aquele alheamento. Era o principio do fim do clube.



Mas não se pense que neste período, o futebol era coisa só deste Ílhavo. Não, surgiu também nestes finais dos anos 20 o Clube de Futebol Os Ilhavenses, iguaizinhos ao Belenenses, e ainda o Marítimo Ilhavense. Equipas populares, já se vê, mas nem por isso menos entusiastas.
O campo é que desapareceu de vez, e hoje em Ílhavo, na sua freguesia sede do concelho, S. Salvador, não existe um único.
A caracterização física do concelho, com a ria a dividir o território, coloca-nos as Gafanhas do outro lado da ria.
Nazaré (que hoje é cidade), Encarnação e Carmo, também haveriam de dar ao futebol os seus clubes. Mas isso já foi depois do 25 de Abril.
Só o Grupo Desportivo da Gafanha surgiria antes, em 1957.