Futebol Saudade

Desde que, há mais de 100 anos, se fez o primeiro campeonato de futebol em Portugal, que a "passerelle", que é a vida desportiva, viu desfilar milhares de clubes.
Uns ainda hoje existem, pujantes e vigorosos até, outros, embora perdendo protagonismo, ainda resistem. Mas muitos ficaram pelo caminho.
Passaram ao futsal, deixaram o desporto, ou fecharam mesmo as portas. É dos que partiram (e não só), que aqui vamos tentar deixar a memória.




quinta-feira, 31 de julho de 2008

Atlético Clube de Travanca

Clube surgido nas competições da AF Viseu nos anos 40 (fundado em 1942), chega a participar no futebol nacional da 2ª divisão. Localizada na freguesia de Bodiosa, utilizava o seu estádio do Ribeiro como sala de visitas. Azul e amarelo eram as suas cores de eleição, que só deixaram de ser vistas no final da época de 2006/07.

4 comentários:

Anónimo disse...

Efectivamente, o Atlético Club de Travanca,desculpem-me mas disse bem Club,pois procurava traduzir a antiguidade do referido Clube, anterior à introdução do anglicismo clube, que assim é designado nos Estatos, que têm data de 1939. Nasceu na aldeia de Travanca, da freguesia de Bodiosa, do concelho de Viseu.
Com essa designação participou nas competições oficiais Distritais de Viseu. Porém, no período áureo da exploração do volfrãmio, os senhores que fumavam as notas de vinte escudos (seriam hoje 20 Euros!)deram-lhe uma dimensão e base de apoio de freguesia e passaram a chamá-lo de "Os Bodiosenses", com sede ainda em Travanca, mas escavando o campo de Futebol em pinhal do Cruzeiro, 3 Kms a NW.
As competições oficiais,em 1945, eram, então, "assistidas" por guardas a cavalo.Os Travanquenses fizeram mesmo umas bancadas de madeira- uma espécie de réplica das que existiram no Estádio do Fontelo até 20 ou 30 anos depois.O recinto tinha dimennsões que permitiam ali disputar a Taça de Portugal. Os Bodiosenses, porém, pouco tempo resistiram(cerca de 2 anos).Adoptaram então as cores de "Os Belenenses" de quem se tornaram Filial, como ainda há pouco tempo, os responsáveis estes lembraram aos responsáveis do Atlético de travanca.Sim , nesse ano eles conquistaram o campeonato Nacional. É o Jornal "Política Nova",de Viseu, desse tempo, que descreve as participações oficiais de ambos os Clubes de Bodiosa.
Sem o perfume do dinheiro do Volfrâmio desapareceu o Bodiosense, dando lugar a competições, melhor jogos, particulares entre equipas de aldeias.Ficaram em Travanca uma bandeira fascinante um armário e alguns "mochos" da sede.Um dos Directores mais entusiastas ( Juvenal Lourenço da Capela)emigrou para o Brasil e vários outros se lhe seguiram...A situação era difícil e o austero Salazar conduzia a vida do país fazendo-o crescer com financiamento próprio do país. Sim, nessa altura, já há muito, havia acabado a"quintalada" brasileira...E o petróleo e diamantes de Angola e o ouro "de Moçambique" ainda não assumiam grande expressão na Balança Comercial do Espaço Português...
O Atlético de Travanca ficou mesmo sem Campo, improvisava então o Campo da Treposta, das Canadinhas e , por último, o de Oliveira de Cima para jogar com o Meia Laranja ( de Viseu), com o Silgueiros, Orgens , S. Martinho e de outras aldeias da sua igualha, para exprimir o gosto pelo Futebol e corresponder à sentida necessidade do seu desenvolvimento físico. Mas, era uma chatice, os próprios atletas madrugavam no domingo para cortarem o mato e os pinheiros e faziam as balizas, e, dois meses depois,o proprietário particular)dos terrenos carregavam-nos para casa deles.Era madeira seca e já ardia bem!...
Os garotos travanquenses jogavam no meio da rua ou mesmo da estrada...! E lá estava- a 3 kms-o magnífico campo do Cruzeiro, que tanto lhes tinha custado a construir...!

O quadro era messmo esse. Todavia, com a maior vulgarização do automóvel, já em 1969 começou a pensar-se em voltar ao Cruzeiro. Sim, porque, ainda que o pinhal não fosse do Atlético de Travanca, foi lá os seus ex-sócios e simpatizantes investiram as suas energias e o seu dinheiro..O "azar o azar e a má fortuna" dos travanquenses continuava: A "veneranda pessoa" do sr. Mário do Cruzeiro, que havia facultado o espaço para o Campo de futebol,ao que parece " fumou notas a mais" e tornou-se insolvente. O credor, infelizmente,era um onzeneiro que, quando Reitor do Senhor pedia com os mordomos de outras confrarias,tanto se queixava de os beneméritos darem esmola igual para todos...
E o resultado foi que um dos filhos, que era padre, pediu pelo recinto 300 contos,dez vezes mais que o que o Atlético pagou por maior terreno mesmo em Travanca, no meio da aldeia.

victor sousa disse...

embora anónimo, fica aqui um ponto de vista da vida de Bodiosa, onde o futebol, inevitavelmente, tem lugar.
É um contributo, embora singelo, para retratar uma realidade, que teve princípio, obviamente, e que também teve um fim. Lamentavelmente.

Anónimo disse...

Eu cheguei a jogar no ACT... Bons tempos

Anónimo disse...

Eu não joguei mas adorava representar esse enorme simbolo e principalmente esfolar-me pela minha terra, tem outro gosto. Qual representar as as origens devia ser um orgulho para todas as pessoas!

Saudações Desportivas.