Futebol Saudade

Desde que, há mais de 100 anos, se fez o primeiro campeonato de futebol em Portugal, que a "passerelle", que é a vida desportiva, viu desfilar milhares de clubes.
Uns ainda hoje existem, pujantes e vigorosos até, outros, embora perdendo protagonismo, ainda resistem. Mas muitos ficaram pelo caminho.
Passaram ao futsal, deixaram o desporto, ou fecharam mesmo as portas. É dos que partiram (e não só), que aqui vamos tentar deixar a memória.




quarta-feira, 3 de novembro de 2021

Beja futebolística



A primeira associação que os jornais da cidade citam, é o Grupo Operário de Beja, que tem sede na rua Ancha, e foi fundado em Dezembro de 1904.
Mas parece que as suas actividades não passam pelo desporto, e muito menos pelo futebol.
As crónicas dos sabedores do futebol na cidade, como é exemplo Manuel Melo Garrido, que escreve um livro em fascículos, editado em 1956, a que deu o título “História do Desporto no Distrito de Beja”, fala-nos de Manuel Gomes Palma, como introdutor, em 1906, do futebol na cidade.
Em 1911 um jornal local, “A Concórdia”, dava conta que um grupo de rapazes tenta criar o Bejense Foot-Ball Club, mas a tentativa não resulta. Em 1912 chega o Grupo Sportivo Bejense. É o “Operário”, jornal local, que o afirma em 8 NOV 1912.
Posteriormente, “O Porvir”, jornal de Beja, diz (29 Março 1913) que este vai organizar uma festa de benefício, a seu favor.
Parece que o pouco entusiasmo pelo futebol deste clube, mais virado para o ciclismo, leva a uma cisão que faz aparecer o Académico Foot-Ball Club.
É precisamente que entre estes dois, se joga o que consta ter sido o primeiro jogo de futebol em Beja. Bejense contra Académico, na para da de Infantaria 17.
 “O Porvir” noticia em 14 Agosto 1915, que se vai jogar um desafio entre o Águia, com o Glória ou Morte, catalogando-o como 1º jogo do campeonato (sic), na parada interior do Regimento de Infantaria 17.
Parece que este local era o campo da cidade, embora muitos outros sejam sucessivamente citados.


               (Convento de S. Francisco, que alojou Infantaria 17)

Mas a volatilidade dos grupos é uma constante, e logo surge outra dissidência, agora no Académico, resultando daí o Glória ou Morte.
Mas as tricas não haveriam de ficar por aqui, e logo surge o Esperança FC, agora devido a nova dissidência no Glória!

A partir de 1915, o movimento futebolístico é grande, começando a ser citados especialmente dois clubes. O Águia Foot-Ball Club, e o Foot-Ball Club Glória ou Morte, mas outros surgem também. É o caso do Foot-Ball Os 11. Este, como não poderia deixar de ser, deve o seu aparecimento a uma cisão no Águia. Mas o Onze não ficaria imune, e a sua cisão revela o Luso.

Em 14 de Agosto de 1915, “O Porvir” noticia que se vai jogar o 1º jogo do campeonato (sic), na parada interior do Regimento de Infantaria 17, jogando o Águia com o Glória ou Morte.
Mas aqui e ali, a informação desportiva traz-nos novos acontecimentos.
“O Porvir” (16 Setembro 1916) anuncia que no dia seguinte joga-se no campo do Glória ou Morte, um desafio pelas 18 horas e meia, que porá frente a frente as equipas do FC Os 11, com o Esperança FC. O jornal completa a informação com a constituição das equipas, bem como a citação do árbitro.
Mas não é só dentro de portas que se joga, nem tão pouco só com as equipas locais. Em 7 de Janeiro de 1917, o Sporting Farense faz 2 jogos em Beja, vencendo o Águia por 2 a 0, e no dia seguinte, 2ª feira, dia de descanso do comércio, prega 13 aos do 11!
Entretanto, o recém-criado Académico já está activo, e joga (18 Janeiro) com o Águia, perdendo por 3-0. Este Águia desloca-se a Évora (“O Porvir” 3 Fevereiro 1917), para jogar com o Seta FC, e um misto do Graça FC e Lusitano Eborense.
Anuncia entretanto “O Porvir” (8 Janeiro 1921), que o Glória vai ter um campo novo, cedido pela Câmara Municipal.

O distrito ganha uma associação de futebol oficial em 1925, e oficial porque filiada na União de Futebol, a antecessora da FPF.

Em 1930 ganha a cidade, também, um verdadeiro campo de futebol, iniciativa do Luso, que dava ao futebol de então o campo Condessa de Avillez.
Encontrava-se finalmente, um campo que obedecesse às exigências federativas, e dispensasse o “campo” de então, a Eira do Costa Lobo, que hoje serve de base ao hospital distrital.

Mas o verdadeiro berço do futebol na cidade havia sido o Regimento de Infantaria 17, que permitiu ver muito futebol na sua parada.
Hoje, esses terrenos servem à Pousada, no Convento de S. Francisco. A parada interior do quartel foi talvez o palco do primeiro jogo de futebol na cidade.

Surgido o Condessa de Avillez, nova era se perfilava no futebol da cidade. Mas apressadamente, vá-se lá saber porquê, este excelente campo é demolido, mesmo antes do campo municipal em construção estar pronto, pelo que o futebol foi jogar-se, depois de muita luta, para o liceu de Beja, enquanto o hoje Flávio dos Santos se não concluía.

Mas a diáspora do futebol na cidade, tem muitos atractivos. Desde logo, porque campos era o que mais havia! Se não, vejamos o que vai sendo citado no livro de Melo Garrido, de que nos vimos servindo.

A eira do pai de Joaquim Vilhena, foi o verdadeiro primeiro campo. Ficava abaixo da Estrada da Circunvalação, um pouco acima da Moagem dos Santos, junto à estação dos caminhos-de-ferro.

Um pouco mais arriscado, por causa dos polícias, era o campo do largo da Conceição, na parte frente ao mercado de então, e agora (1956),  largo dos Duques.
Mas também a eira do Almodôvar, onde se viria a construir o bairro da Morgada da Apariça, serviu aos “players” de então.
O largo da Fundição, que se tornou o largo do Carmo, também serviu ao futebol de ocasião. Sem vedações, sem balneários, mas com o aval dos jogadores de então, entusiastas até dizer chega!

Mas não se pense que é tudo. O Condessa de Avillez estava longe.
Um dos que passa por ser o campo de referencia, servindo até nos primeiros pontapés na bola, foi o campo da eira do Costa Lobo, onde hoje está instalado o hospital. Mais propriamente na Barreira, na Mata Municipal, junto da Estrada da Circunvalação, hoje rua Infante D. Henrique. Assim o descreve Melo Garrido.

Entretanto o Glória também tem um campo. Foi concessão da Câmara, que lhes faculta um espaço no campo da feira, que então ficava onde hoje se instala o liceu Diogo Gouveia.
Finalmente surge o campo que serviu às competições locais, antes do Luso se abalançar ao seu recinto, o primeiro dedicado ao futebol, e já com as condições exigidas pela Federação. Era o Condessa de Avillez, inaugurado em 1931.
Mas o campo que o antecede, que é também concessão da Câmara (ver O Porvir) ao Luso, que o veda e gere, ficou por incumbência da autarquia de ser cedido para treinos aos restantes clubes da cidade. Era o campo da Quinta Pequena. Ficava na feira, e seria o “campo” do entretanto desaparecido Glória.
Fica assim exaltado o dinamismo associativo que imperava na cidade, impregnando-a de um entusiasmo que fez florescer toda esta diversidade itinerante!

Mas o futebol nestes tempos pioneiros era atracção de muitos, e espalhava-se um pouco por todo o lado. O distrito de Beja territorialmente imenso, também aqui e ali, via surgir clubes e competições. É o caso de Moura, que em 1927 cria um campeonato para as suas equipas.

Mas dissequemos a realidade futebolística desde os primórdios do século XX, até ao futebol organizado.

1910 a 1924

As raízes do futebol de Beja começam a fixar-se nesta época. Melo Garrido, jornalista dedicado ao tema, fez uma súmula da história do futebol, nestas bandas, até 1956, e é ali que ficamos a saber, que como em muitos outros lados, são os rapazes que estudam em Lisboa, especialmente na Escola Académica ou no Colégio Militar, quem divulga este jogo, e as suas regras.
Posteriormente, outro jornalista radicado em Beja e daqui natural, José Saúde, fala-nos dos pioneiros e rivais, Grupo Sportivo Bejense com o seu campo na Eira da Costa Lobo, e o Académico Sport Clube, que estaria na origem do Glória ou Morte.
   
Também o sócio nº 1 do Despertar, à data da entrevista, que dá ao Diário do Alentejo em 18 Maio 1982, nos conta a sua privilegiada experiencia.
Situa tudo no Águia, único clube de então, e que por isso via os seus sócios a dividirem-se em várias equipas, jogando uns contra os outros, à falta de clubes na cidade. Obviamente que estas pelejas trazem dissidências, e por isso daqui surgem o Infantil e o Libertário, essencialmente formados por rapazes de 15, 16 anos, operários na sua grande maioria, e que faziam da rua a sua sede.
São estes grupos que mais tarde, acossados pelo poderio de outros entretanto surgidos, decidem unir-se, surgindo daqui o Despertar.
Assim nos conta o senhor Manuel Gonçalves Peladinho, sócio 1 do clube, em 1982.
Mas também o Luso provem de uma cisão nos Águias. Em 1915 as 3ªs categorias saem em peso, e formam o 11 Foot-Ball Club. Passaria depois a Luso Sporting Club.

Clubes pioneiros

Neste período, já vimos citados em diferentes ocasiões e circunstâncias, os seguintes

Grupo Sportivo Bejense            1912
    Académico Foot-Ball Club         1912
Foot-Ball Club Glória ou Morte       1913
Foot-Ball Club Glória ou Morte       1913
    Águia Foot-Ball Club                1914
Esperança Foot-Ball Club         1915 (1ª versão)
11 Foot-Ball Club                     1915
Luso Sporting Club                   1916 (16 Junho)
Despertar Sporting Clube         1920
União Sporting Clube               1921 (1 Maio)
Pax Júlia Atlético Clube            1923
Desportivo Glória Pax Júlia      1925
Infantil
Libertário
   

Futebol de Beja em 1923 (ainda não havia Associação, mas já havia futebol)

Taça da Cidade

Ofertada pela Câmara Municipal, para ser jogada todos os anos, e com atribuição definitiva à equipa que a vença 3 vezes consecutivas. Pretende a autarquia, simultaneamente com a animação da cidade, dar uma ajuda motivacional aos clubes da cidade, e ainda comemorar a implantação da República
Terá sempre início em 5 de Outubro, e terminará em Janeiro de 1926, com um jogo Luso-Despertar, que o primeiro vence, e fica com a Taça, pois ganhou as 2 edições anteriores. O seu regulamento será publicado na edição de “O Porvir” de 29 de Setembro.

Taça da Cidade em 1924.

Nesta competição já não participa o Pax Júlia, em processo de reconstrução, onde entra o Glória ou Morte.
Ganha o Luso. O Pax Júlia irá aparecer em Abril de 1925 (ver “O Porvir” do dia 11), agora como Desportivo Glória Pax Júlia, mercê da fusão com o Glória ou Morte, donde havia surgido, devido a uma divergência.
Mas por aqui a volatilidade clubista é intensa. Tudo voltará à primeira forma, isto é o Pax será novamente Atlético, e o Glória assume o nome original. É o que dirá “O Porvir” de 15 JAN 1927.

Futebol em 1926

Anuncia-se o último jogo da Taça da Cidade, entre o Luso e o Despertar, e diz-se que se o Luso vencer (o que acontece por 4-2), ficará detentor permanente da Taça.
O jornal Ala Esquerda, cita o desenvolvimento da Taça da Cidade, organização da Câmara Municipal, referindo que a taça será entregue ao clube vencedor 3 vezes. Foi ao Luso que coube tal honra, e meteu até sessão nobre na Autarquia.
Foi em 31 de Janeiro, conforme relata o jornal, que é entregue ao clube o Diploma de Honra, que o proclama “Campeão Futebolista de Beja”, sendo-lhe entregue definitivamente a Taça Artística que constituía o prémio que vinha sendo disputado por todos os clubes da cidade há 3 anos.

Em 11 de Março de 1926 o jornal (O Bejense), publica uma notícia que rezava:

Associação de Foot Ball de Beja

Acaba de fundar-se nesta cidade a “Associação de Foot-Ball” com o fim de disciplinar e orientar a prática do respectivo sport no distrito de Beja.
A direcção pede-nos a publicação da seguinte nota:

- a Associação que acaba de fundar-se, com sede na rua do Touro, 13 Beja, comunica que:
- está assegurada a sua filiação provisória na União Portuguesa de Foot Ball
- que vai iniciar-se imediatamente o torneio para apuramento do campeão distrital, que representará Beja no Campeonato de Portugal.
- que já fizeram pedido de filiação, todos os clubes da cidade, esperando a direcção que se filiem todos os do distrito.
- que em sessão de 2 de Março foi eleita a direcção da Associação, a que preside o tenente-coronel António Henriques de Meneses Soares.

O jornal não dá pormenores deste campeonato, que decorreu entre 11 de Março e 20 de Maio, e noticia apenas que o Luso foi o vencedor (tornando-se campeão do Alentejo), e deslocou-se a Setúbal para jogar com o Olhanense (campeão do Algarve), numa eliminatória para o Campeonato de Portugal, tendo perdido por 5 a 0.


AF Beja 1925/26


Em 1919, um prestigiado homem do futebol da cidade, Joaquim Monte, tentou a criação de uma organização coordenadora das competições, mas não teve sucesso. Esse havia de chegar em 1925. Foi a 30 de Março que finalmente se criou uma associação de Futebol.
É mérito de Brandão Soares e Guilherme de Almeida, dois entusiastas do futebol, a que se juntara Silva Dias, conhecido pela sua capacidade de organização. Surgia a regulamentação que até então não existia. Faltava o campo, indispensável para concorrer aos nacionais, e ser a Associação reconhecida pela Federação. Aquele, só em 1931, a 1 de Fevereiro haveria de ser uma realidade.

A cidade ressentia-se da inexistência de um campo de jogos adequado às competições nacionais, já que a Federação exigia recintos vedados, e a cidade não dispunha de tal. Entretanto a câmara cede ao Luso parte do terreno da feira, no designado Rocio, para que o clube o adapte a recinto de jogo, cedendo-o, aos restantes clubes da cidade (ver “O Porvir” 26 MAI 1923). Será o campo da cidade, até ao futuro Condessa de Avillez, que será construído perto do Poço Largo (O Bejense 28 OUT 1926)

E foi então que se organizou o I Campeonato de Beja, que teve o desenvolvimento que se registará.

A AF convoca uma Assembleia Geral Extraordinária em Março de 1926 (ver Ala Esquerda de 11 Março), citando-se num dos pontos:
- promover deliberações a tomar, para o apuramento do campeão distrital.

Os jogos usualmente tem lugar ao domingo e 2ª feira (dia de descanso no comércio)

Mas não foi pacífica a disputa desta prova. Surgiu um diferendo entre a AF e o Despertar, com este a desistir do campeonato, mas depressa voltou a ele.
Os respectivos comunicados lá estão no jornal que vimos citando.
Em 15 de Abril o jornal diz a propósito do jogo Luso - Pax Júlia, que aquele venceu por 4 a 0, que o Luso com esta vitória conquista o título de campeão oficial da AFB, e será seu representante no Campeonato de Portugal.

Disso fala o jornal em 13 de Maio, que dá conta da vitória do Luso sobre o campeão de Portalegre, em jogo realizado em Santarém. Diz ainda o jornal que no domingo seguinte à publicação, se jogaria em Lisboa o encontro entre o Luso e o campeão do Algarve, o Olhanense.
Mas afinal onde se jogava, sabendo-se que o “primeiro” campo surge em 1931?

Dizem as crónicas de então, que o “primeiro” campo de jogos foi a Eira do Costa Lobo, onde hoje se encontra o hospital distrital. Mas verdadeiramente, o primeiro campo de jogos foi a parada do quartel de Infantaria 17, onde se jogou em 1913, bem no início do futebol nestas paragens.
E Beja, logo em 1915, dispunha de um jornal desportivo: era o “Sport Lisboa”


AF Beja 1926/27


A inexistência de um recinto de jogo adequado, levou os clubes a procurar um.
É assim que o Luso se abalança a tal, e conta com a doação de um terreno pela Condessa de Avilez, conforme explica claramente o Ala Esquerda de 14 de Outubro de 1926, na sua página 2.

Entretanto seguem as démarches da AF para trazer à competição mais equipas.
Fala-se no ressurgimento do Glória ou Morte, e no Pax Júlia, que entretanto sofrera uma cisão. A ala dos insatisfeitos criara o Desportivo Pax Júlia. Os tradicionalistas não gostam de tal, e após algumas démarches aqueles dão ao grupo o nome de Foot Ball Club Glória ou Morte. Tal nome suscita reservas, mas a AF aceita, provisoriamente, tal inscrição. Está tudo no Ala Esquerda, jornal de Beja, que trás uma desenvolvida reportagem com um dirigente do Pax Júlia, que explica toda a trama que envolve o clube. (Ala Esquerda 25 Novembro 1926 – ver também 13 Janeiro 1927).
Este reaparece, e irá participar no campeonato 1926/27, cujas inscrições abrem de 16 de Dezembro a 14 de Janeiro.
Haverá de ocorrer em simultâneo, o campeonato local e o campeonato de apuramento ao nacional. Consequência das indefinições e algum amadorismo dos dirigentes.
Será isso que levará á não realização do campeonato de 27/28, e um improviso em 28/29, dado o carácter de obrigatoriedade que a FPF impõe.

Mas vejamos o desenvolvimento da competição interna, entre protestos, jogos anulados e outras peripécias.


o jogo inicial (Despertar vs. Pax Júlia) foi ganho pelo Despertar (1-0). A AF anulou-o.

o jogo (Pax Júlia vs. Glória ou Morte) acabou 5-2. a AF descontou um golo, pois o relógio do árbitro funcionava mal, e houve mais 11 minutos de jogo…

o jogo Pax-Despertar disputou-se a 22 de Maio, mas o jornal diz que o árbitro não estava autorizado, e fez tantas tropelias que o jornal se recusou a dizer o resultado! Ainda por cima, diz o jornal, o elemento era guarda-redes do Luso, e recebia uns trocos da AF! (Ala Esquerda 26 Maio 1927). Os clubes já tinham jogado 3 vezes entre si!

AF Beja 1927/28



As convulsões são muitas, e os clubes não aderem muito. O campo também nunca mais é dado por concluído, e as AF são eleitas somente por uma época. Assim torna-se difícil gerir as competições, e nesta época, apesar de haver muitos jogos particulares, e profusamente citados, não se realiza o campeonato.
Entretanto surgiu em Moura uma Liga de futebol, que também organiza campeonatos





AF Beja 1928/29

A época não difere muito da anterior. Os clubes activos são apenas 3. A AF está numa grande inércia, mas a filiação na FPF obriga-a a indicar o seu representante ao Campeonato de Portugal. É assim que a AF promove em Março uma reunião de delegados dos clubes, visando fazer disputar o torneio de classificação ao Campeonato de Portugal. Determina-se o dia 25 de Março para realizar um jogo entre o Luso e o Despertar – o União desistira – visando determinar quem seria o campeão local, e que a 31 desse mês jogaria com o campeão de Évora, o Lusitano, para determinar quem seria o representante destas AF’s no citado campeonato nacional.
O Luso vence o jogo (1-0), após prolongamento, sendo considerado campeão de Beja.

AF Beja 1929/30

O jornal Ala Esquerda em 31 de Outubro de 1929 dá conta das obras no novo campo do Luso, e diz que as obras estão adiantadas, e por isso a cidade ficará dotada de estruturas adequadas e indispensáveis para participar no futebol nacional.

Posteriormente, a 16 de Janeiro de 1930, o jornal diz que o futebol em Beja está decadente, onde actualmente existem 3 clubes, sendo que um, ao que consta, vai retomar a actividade. Refere-se o jornalista ao reaparecimento do União, que se filiará se houver campeonato na cidade, mas que tal se afigura pouco provável. E foi. Nesta época também não houve competição.
Mas o jornal refere que o antigo campo do Luso, se dotado de uma vedação de madeira, podia ser uma hipótese de recolha de receita, e possibilitar um campeonato.
Perfilavam-se novas equipas, e refere-se na notícia a criação de um novo clube: Atlético Clube Bejense.

AF Beja 1930/31

O jornal que vimos citando, o Ala Esquerda, diz em 18 de Setembro de 1930 que a FPF concedeu ao Luso um empréstimo de 16 contos, para que este consiga concluir o campo, indispensável à competição.

Finalmente a 1 de Fevereiro de 1931, o estádio Condessa de Avilez é finalmente inaugurado. O futebol no distrito pode agora ser regularmente jogado.
O espaço era um ferragial, perto do espaço onde se fazia a feira, e por isso também era conhecido por Rocio das Tendas (Porvir de 25 Julho 1931)

A 26 de Fevereiro o jornal relata as incidências do torneio de qualificação para o Campeonato de Portugal.

9 Fevereiro – Luso – Despertar 2-3
23 Fevereiro – Despertar – União 3-4 (União apurado após penalidades)

Vai realizar-se o campeonato distrital. O jornal Ala Esquerda anuncia que o seu início será a 30 de Março. Jogarão na estreia o Despertar com o União. Mas serão 5 as equipas concorrentes. 3 de Beja, 1 de Aljustrel, e outra das Minas de S. Domingos.
Mas depois, neste jornal, é o silêncio total.

(ver Ala Esquerda de 1 Outubro 1931 – historial da criação da AF)

AF Beja 1931/32
Como surgiu um conflito entre o Luso e o União, a AF decidiu desistir da participação no Campeonato de Portugal, dado o tempo ser escasso para dirimir a questão.

 (Porvir 19 Março 1932)

Apontamentos dos primeiros campeonatos. Aqui



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